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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A história do black metal parte 3 de 3: o Brasil e os anos 90, a década dos grandes debuts

Um comentário:
Finalmente, quase um ano depois, estou aqui para fechar esta série de posts. Como sempre falo e deixo claro que o black metal, é a vertente do metal que mais curto, ou a vertente que tem mais bandas e mais discos que gosto, curto um pouco de tudo, clássico, jazz, blues, mpb, rock, pop e metal em geral, e garanto que 1/3 das minhas coleções, vinis, cds e mp3 são de black metal e o restante de álbums variados dos estilos citados anteriormente.

O Black Metal tem um “Q” de interessante pois nem as bandas mais pop, mais traiçoeiras e vendáveis do estilo conseguem entrar no verdadeiro mainstream pop, mesmo se vendendo ostensivamente. O estilo é revestido de uma película intransponível de “anti-trend”. Hoje em dia o Black Metal não é nem de longe o que foi na década de 80 e início dos 90, as bandas viraram mais do mesmo com raríssimas exceções. O seu primo mais próximo, o death metal é em sua maioria esmagadora, muito mais polido, limpo e digerível às grandes massas. Existe uma inclinação dos músicos de death metal a serem virtuosos, em se preocuparem com as composições como se fossem óperas e isso acaba por tornar o estilo chato pra mim. Eu curto muito algumas poucas bandas de death, já extensivamente faladas aqui no blog e são elas Deicide, Morbid Angel, Necrophagia, Grand Belial´s Key, alguma coisa do Death e mais um disco ou outro esquecido por aí ...

Eu, definitivamente, não acho que virtuosidade e técnicas absurdamente concebidas garantem uma sonoridade perfeita, claro que não! A música em todas as suas vertentes precisa de alma, precisa ser um receptáculo dos sentimentos e emoções de quem as concebe, é o conjunto da obra que dirá a verdade. E o mais importante de tudo, a capacidade do ouvinte em tecer suas interpretações do trabalho apreciado, pois fica a cargo dele o veredito final, porque o artista pode até tentar incutir na cabeça do ouvinte suas aspirações, mas serão suas (do ouvinte) experiências, necessidades, anseios e a “vibe” que estiver inserido que criarão o ambiente propício a uma boa degustação sonora. É direito inalienável do ouvinte interpretar a obra que está em suas mãos da maneira que julgar mais adequada e isso vale para qualquer vertente artística.

Cessadas as elocubrações, vamos ao post...

O nosso grande Brasil na década de 80 presenteou o mundo com diversas bandas espetaculares, com um som bem extremo e diferente do que rolava principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Neste decênio o Death Metal e o Black Metal andavam de mãos dadas, eram poucas características que diferenciavam um do outro, quase imperceptíveis e a questão do rótulo é muito complicado, ainda mais se tratando deste período que ambos os estilos death e black estavam no seu berço onde até os próprios músicos não sabiam dizer onde se encaixavam na vasta família do metal. Falaremos um pouco dos meus discos favoritos desta época concebidos no Brasil e depois falaremos dos anos 90...

Existem alguns trabalhos nacionais desta época aos quais eu tenho o maior carinho e foram responsáveis pelo papel importantíssimo que o país tem na música extrema, irei citá-los:

WARFARE NOISE I 1986– É um disco único, demonstra a garra e a pegada que as bandas brasileiras mais especificamente mineiras, tinham e que, por tantas vezes a Europa tentou reproduzir. É uma pequena amostra de quatro grandes bandas nos seus berços e iniciando seus melhores momentos pois logo em seguida elas devastariam a cena metal com seus espetaculares debuts. A coletânea continha:

- SARCOFAGO.
1. Recrucify
2. Black Vomit
3. Satanas

- MUTILATOR.
1. Believers of Hell
2. Nuclear Holocaust

- CHAKAL
1. Cursed Cross
2. Mr. Jesus Christ

-HOLOCAUSTO
1. Destruição Nuclear
2. Escarro Napalm
(Falar dos destaques)

Uma pérola vinílica sem preço, com muito orgulho guardo esta magnífica obra em seu formato original.

SEPULTURA – BESTIAL DEVASTATION 1985
/ MORBID VISIONS 1986
Nestes 2 primeiros trabalhos o Sepultura se entitulava Death Metal, independente de que rótulo eles melhor se encaixavam, o que particularmente julgo imperceptível, eles apresentaram 2 trabalhos extremos e renegados pelos fãs mais polidos da banda. Particularmente acho ambos perfeitos e muita banda gringa bebeu destas fontes. A abordagem lírica era totalmente voltada ao macabro o que se perdeu nos álbums vindouros, onde passaram a abordar temas sociais, é claro, já almejando um mercado internacional.

BESTIAL DEVASTATION 
1."The Curse"
2."Bestial Devastation"
3."Antichrist"
4."Necromancer"
5."Warriors Of Death"





MORBID VISIONS
1. "Morbid Visions"
2. "Mayhem"
3. "Troops of Doom"
4. "War"
5. "Crucifixion"
6. "Show Me the Wrath"
7. "Funeral Rites"
8. "Empire of the Damned"

SARCÓFAGO – INRI 1987
Já falei muito sobre este disco no post anterior quando me referia ao ano 1987. Isto aqui é simplesmente uma obra-prima, algo que será apreciado, estudado e degustado eternamente pelos black metal die hard fans, como eu! Então se quiserem ler mais sobre ele cliquem aqui.

1. Satanic Lust
2. Desecration Of Virgin
3. Nightmare
4. I.N.R.I.
5. Christ's Death
6. Satanás
7. Ready To Fuck
8. Deathrash
9. The Last Slaughter


HOLOCAUSTO – CAMPO DE EXTERMÍNIO 1987
Outro grande álbum que comentei no post sobre 1987, leia mais aqui.

1.Intro
2.Campo de Extermínio
3.Forças Terroristas
4.Scória
5.Facção Revolucionária Armada
6.Regimento da Morte
7.III Reich
8.Vietnã
9.Guerrilheiro Suicida
10.Setembro Negro

VULCANO – LIVE 1985
Primeiro álbum desta que é considerada nada menos que a primeira banda de Black/Death Metal da América Latina, Fenriz do grande Darkthrone, disse a revista brasileira Lucifer Rising, especializada em black e death metal, o quanto era fã da banda e que eles já faziam música extrema quando ele ainda era uma criança. O diferencial deste disco é ser ao vivo, afinal, é raríssimo termos como primeiro disco um ao vivo, as bandas preferem fazer uso da oportunidade de se mostrarem num álbum pela primeira vez ao público com suas músicas bem produzidas em um estúdio, mas o Vulcano resolveu fazer a diferença e mostrar ao mundo tamanha potência, peso e originalidade que seu som continha com a vibração dos fãs ao fundo. Disco grande e a frente de seu tempo, imortal em toda a sua simplicidade e honestidade.

1.Witche's Sabbath
2.Prisoner from Beyond
3.Fallen Angel 07:53
4.Riding in Hell
5.The Signals
6.Guerreiros de Satã (Satan's Warriors)
7.Devil on My Roof
8.Total Destruição (Total Destruction)
9.Legiões Satânicas (Satanic Legions)

VULCANO – BLOODY VENGEANCE 1986
Um dos primeiros álbums de black metal que ouvi na vida. É ainda hoje uma das raízes do estilo, incomparável e original. Cometi a grande GAFE de não ter falado sobre ele no meu post sobre 1986, então farei a sua devida e merecida homenagem aqui.

Lançado em 1986, com uma capa que deixa qualquer banda de black metal da segunda geração pra trás, trouxe-nos um som, rápido e cru, com letras macabras, um vocal único e guitarras eletrizantes. Em tudo que já conheci e ouvi de black metal, não troco este disco por nada, em 5 anos antes do black metal começar a eclodir na escandinavia estes paulistas já haviam ditado as regras, um dos grandes orgulhos do metal nacional. E ainda mais, eles tiveram apenas 24 horas para gravar e mixar as músicas. Um álbum essencial para os fãs de Black e Death Metal de todo mundo.

1.Dominios of Death
2.Spirits of Evil
3.Ready to Explode
4.Holocaust
5.Incubus
6.Death Metal
7.Voices from Hell
8.Bloody Vengeance

Ainda na década de 80, mais precisamente em 1987, 4 rapazes de Oslo, Noruega, lançariam as raízes do que futuramente se tornaria o tão conhecidoTrue Norwegian Black Metal. Eles não tinham noção do quão influente e importante aquele disco seria, tamanha influencia ele exerceu em todas as bandas que rapidamente o seguiram. Eles eram o Mayhem e o álbum chamava-se DEATHCRUSH. O metal europeu nunca mais seria o mesmo...

MAYHEM – DEATHCRUSH 1987
Álbum que reiniciou o Black Metal na Europa. Primeiro disco da segunda geração do Black Metal. Um álbum destruidor, até a sua intro instrumental que foi composta por Conrad Schnitzer que já tocou no Tangerine Dream, é foda, mas se tivesse que citar os verdadeiros épicos eu diria que são as músicas DEATHCRUSH, CHAINSAW GUTSFUCK e NECROLUST e é claro uma cover from hell de WITCHING HOUR do Venom. Na minha opinião o Mayhem se resume em 2 álbums, este e o magnífico DE MISTERIIS DOM SATHANAS.

1.Silvester Anfang
2.Deathcrush
3.Chainsaw Gutsfuck
4.Witching Hour
5.Necrolust
6.(Weird) Manheim
7.Pure Fucking Armageddon
8.Outro

O grande advento do início da década de 90 foram partes do planeta lançando bandas com propostas semelhantes, mas trabalhos completamente diferentes entre si, podemos tranquilamente rotulá-los como “black metal” mas sua sonoridade, principalmente nos debuts são incomparáveis.

Então, seguindo, o black metal nos anos 90...

<<<BRASIL – O poder vindo de Salvador - Bahia >>>

MISTIFYER – WICCA 1992
Formados em 1989 em Salvador, Bahia, estes caras mostraram inventar e reinventar um estilo, não foram os pioneiros na música extrema mas ao ouvir seu som não encontramos nenhum vestígio de seus antecessores, como Sarcófago, Holocausto ou mesmo o Vulcano. Wicca foi lançado em 1992 e até hoje é consagrado com um dos melhores álbums de black metal já concebido em terras tupiniquins. São 9 petardos sonoros mais uma intro e uma finalização de 57s. Os destaques da equipe pra mim são o vocal a cargo de Meugninousouan que até hoje não encontrei vocais tão bizarros como os dele, eu já ouvi muita coisa mas vocais iguais aos dele neste álbum não existem, são muito sinistros e a bateria que é creditada a Lucifuge Rofocale é uma metralhadora absurda. Imperdível. Em 2002 a Mutilation Records relançou o álbum em uma versão dupla em vinil, que é justamente a que eu tenho.

1.The Witch Voisin Recites Our Gloat
2.Osculum Obscenum
3.Tormentum Aeternum
4.Cursed Excruciation
5.Defloration (The Antichrist Lives)
6.(Invocacione) The Almighty Sathanas
7.The Dark Kingdom (T.E.A.R.)
8.An Elizabethan Devil-Worshiper's Prayer-Book
9.Hyoscyamus Niger
10.Mystifier (Satan's Messengers)
11.Our Gloat


<<<CANADÁ – O filho bastardo do Sarcófago>>>

BLASPHEMY – FALLEN ANGEL OF DOOM 1990
Depois do lançamento da demo BLOOD UPON DE ALTAR em 1989 estes canadenses iniciariam sua breve carreira com este full length juntando selvageria e destruição que, apesar da gravação tosca, não diminui o seu valor. Peça fundamental na história do Black Metal.

1.(Winds of the Black Godz)
2.Fallen Angel of Doom
3.Hoarding of Evil Vengeance
4.Darkness Prevails
5.Desecration
6.Ritual
7.Weltering in Blood
8.Demoniac
9.Goddess of Perversity
10.The Desolate One (Outro)

<<<FINLÂNDIA – Black metal cult e visceral>>>

BEHERIT – OATH OF THE BLACK BLOOD 1991
Este álbum não era para entrar na discografia oficial da banda, nem tampouco como um debut, afinal ele é a compilação das demos DEMONOMANCY e DAWN OF SATAN’ S MILLENNIUM, bom, querendo ou não, sob a autorização da banda ou não, este é definitivamente seu primeiro álbum, cru e devastador.

1.Intro: Temple
2.Metal of Death
3.The Oath of Black Blood
4.Grave Desecration
5.Witchcraft
6.Goat Worship
7.Demonomancy
8.Black Mass Prayer
9.Beast of Damnation
10.Hail Sathanas
11.Dawn of Satan's Millennium

IMPALED NAZARENE – TOL CORMT NORZ NORZ NORZ 1992
Primeiro desta banda extensivamente conhecida no meio black metal por ter um estilo próprio com sonoridade nitidamente hardcore, principalmente nos álbums pós SUOMI FINLAND PERKELE, eu particularmente prefiro, disparadamente os 2 primeiros trabalhos em que a veia black estava predominante. Este álbum em específico é especial e diria com uns toques extras de esquisitices, mas que não ofuscam nem um pouco a magnitude do debut. Um álbum agressivo aos ouvidos despreparados, pra mim, uma pérola da música extrema e talvez o seu melhor trabalho na opinião deste que vos escreve.

1.Apolokia
2.I Al Purg Vonpo / My Blessing (The Beginning of the End)
3.Apolokia II: Aikolopa 666
4.In the Name of Satan
5.Impure Orgies
6.Goat Perversion
7.The Forest (The Darkness)
8.Mortification / Blood Red Razor Blade
9.The God (Symmetry of Penis)
10.Condemned to Hell
11.The Dog (Art of Vagina)
12.The Crucified
13.Apolokia III: Agony
14.Body-Mind-Soul
15.Hoath: Darbs Lucifero
16.Apolokia Finale XXVII A.S.
17.Damnation (Raping the Angels)

<<<NORUEGA – As sementes do início de uma nova era>>>

Nos anos 90 me arrisco dizer que esta foi a cena mais importante, pelo seguinte motivo, todas as principais bandas que adentraram no estilo, umas com debuts e outras como o Darkthrone, que era death e mudou radicalmetne pro black metal, tinham trabalhos totalmente distintos. Este fato é perfeitamente perceptível e é o que torna esta cena única, acho fabuloso tantas bandas surgirem sobre o mesmo manto (BLACK METAL) mas com sonoridades e letras peculiares a cada uma.

Outro fato relevante desta cena foi a convenção musical chamada Necro-Sound, algo como som cadavérico, nas palavras de Varg Vikernes. Havia, no final dos anos 90, uma tendência de embelezar o som, tornar mais audível e muito melhor produzido, principalmente por bandas de death metal fazendo-as soar mais limpas, espantando o “ranso” que, querendo ou não, está intrínseco na música extrema, é parte de seu contexto, principalmente no abordado Black Metal. Então estas bandas abaixo optaram por, algumas intencionalmente outras nem tanto, gravar seus discos com baixa produção/qualidade, um som tosco, frio e bem distorcido o que as tornaram ainda mais únicas em suas respectivas audições, a sonoridade é genial para quem aprecia o estilo, era um protesto contra as produções polidas e limpas.

Era um turning point para o metal mundial, uma nova gama de bandas com propostas sérias e totalmente ANTI-FASHION. Todos os álbums selecionados abaixo são historicamente importantes para o estilo, todos eles delineiam as características principais de uma forma magnífica. O leitor perceberá 2 coisas, eu não me preocupei em realizar um review dos álbums, posteriormente talvez, a grande maioria destes álbums são os que considero melhores das respectivas bandas citadas.

DARKTHRONE – A BLAZE IN THE NORTHERN SKY 1992
Antes deste álbum esta que é a melhor banda de Black Metal na minha opinião, tinha gravado um álbum 100% Death Metal, o grande SOULSIDE JOURNEY, que apesar de muito bom estava longe de mostrar ao mundo o que realmente eles eram capazes. A BLAZE veio como um vento gelado ouvidos mundiais quando foi lançado, as guitarras como serras-elétricas os vocais rasgados e o som característico estava formado. Ele perde apenas para o TRANSYLVANIAN HUNGER e UNDER A FUNERAL MOON de toda a sua carreira.

1.Kathaarian Life Code
2.In the Shadow of the Horns
3.Paragon Belial
4.Where Cold Winds Blow
5.A Blaze in the Northern Sky
6.The Pagan Winter

EMPEROR – EMPEROR/IN THE NIGHTSIDE ECLIPSE 1994
Sem sombras de dúvidas este é o que considero melhor álbum da banda, os outros são meros coadjuvantes em sua discografia. Mais sobre a banda aqui.

1.Intro
2.Into the Infinity of Thoughts
3.The Burning Shadows of Silence
4.Cosmic Keys to My Creations & Times
5.Beyond the Great Vast Forest
6.Towards the Pantheon
7.The Majesty of the Nightsky
8.I Am the Black Wizards
9.Inno A Satana

SATYRICON – DARK MEDIEVAL TIMES 1994
Jamais na carreira de Satyr/Frost eles conseguiriam alcançar esta sonoridade, mesmo nos excepcionais SHADOWTHRONE e NEMESIS DIVINA. A audição desta pérola é formidável, um álbum congelante. Uma das mais belas instrumentais do Black Metal encontra-se neste disco a Min Hyllest Til Vinterland. Em sua contra-capa do CD existe uma nota a respeito do álbum, deixarei que ela fale por mim:

"DARK MEDIEVAL TIMES é um conceito baseado na idade média, 1349,
e quando os Vikings dominavam a terra do norte.
A música foi criada nos meus momentos mais obscuros
em uma transbordante crença medieval.
A música é atemporal e indenpendente.
Inspiração é tirada das maravilhosas paisagens da Noruega,
e ambas letras e música são chaves para as últimas forças do tempo.
Abra o portão para os Tempos Medievais Obscuros e façam-se presentes
os domínios do Satyricon, 2 grandes espadas e uma bandeira de Domínio e ódio.
Dark Medieval Times é música obscura medieval
para os antigos verdadeiros Vikings da Noruega."

1.Walk the Path of Sorrow
2.Dark Medieval Times
3.Skyggedans
4.Min Hyllest Til Vinterland
5.Into the Mighty Forest
6.The Dark Castle in the Deep Forest
7.Taakeslottet

IMMORTAL – DIABOLICAL FULL MOON MISTICISM 1992
O melhor disco do Immortal na minha opinião, muitos discordam, mas acho este o mais puro em sua proposta, e difere 100% de tudo que estava simultaneamente sendo lançado, inclusive as bandas anteriores a data deste lançamento. Este álbum foi um grande diferencial pois não existe aqui um compromisso com a velocidade, porque as músicas são em sua grande maioria cadenciadas e com um peso absurdo. Um álbum espetacular.

1.Intro
2.The Call of the Wintermoon
3.Unholy Forces of Evil
4.Cryptic Winterstorms
5.Cold Winds of Funeral Dust
6.Blacker than Darkness
7.A Perfect Vision of the Rising Northland

BURZUM – BURZUM 1992
Um discasso do Burzum, faz parte das três primeiras espetaculares duplas de discos de estúdio lançados pela banda. O Burzum lança discos em duplas, este em específico faz dupla com DET SOM ENGANG VAR. Uma das pedras fundamentais do Black Metal norueguês.

1.Feeble Screams from Forests Unknown
2.Ea, Lord of the Deeps
3.Black Spell of Destruction
4.Channelling the Power of Souls into a New God
5.War
6.The Crying Orc
7.A Lost Forgotten Sad Spirit
8.My Journey to the Stars
9.Dungeons of Darkness

Outros 3 grandes debuts desta fazem são BORKNAGAR – BORKNAGAR, ULVER - BERGATT
e GORGOROTH – PENTAGRAM.

Quem curte Black Metal deve estar sentindo falta das bandas suecas como Marduk e Dark Funeral, pois integraram este período, entretanto acho o debut do Marduk muito inferior aos que mencionei acima e os outros álbums, os que julgo melhores são muito semelhantes um do outro, gosto muito apenas do PANZER DIVISION MARDUK e o debut do Dark Funeral, SECRETS OF THE BLACK ARTS considero apenas "bom" nada assim tão relevante. É a minha opinião.

Amigos obrigado a todos pela visita, este foi de longe o maior post do blog, com o tempo eu detalharei e farei um review de cada disco que eu supracitei. Abraços a todos!

domingo, 29 de julho de 2012

A história do Black Metal, parte 2 de 3. O Trio INFERNAL!

Nenhum comentário:

É com muito prazer que dou continuidade a este post que aborda esta vertente do metal que por tantos anos esteve presente em meus momentos metálicos. Vamos dissecar um pouco mais dos primórdios do estilo dando ênfase as 3 grandes bandas: Venom, Celtic Frost e Bathory, que moldaram sua forma e plantaram sementes pra enúmeras interpretações e aprimoramentos que aconteceriam futuramente na década de 90. O Black Metal carregou, e talvez ainda carregue, o espírito que o Metal em geral trazia consigo nos anos 80 de ser underground, não tinha espaço na MTV e nas rádios, aqui no Brasil por exemplo, mesmo a Fluminense FM do Rio, grande divulgadora do Rock e Metal em terras tupiniquins em seu programa de 1 hora aos domingos chamado "Guitarras", especializado em Heavy Metal, raramente tocava algo. Então vamos as bandas:




Venom surgiu em Newcastle, Inglaterra sob o nome de Guillotine e tinha como seu fundador Jeff Dunn, futuramente conhecido como Mantas Numa conversa sobre os rumos da banda, Jeff ouviu de Conrad Lant, futuro Cronos, suas aspirações e intenções que eram definitivamente montar uma banda de Metal Satânico, Jeff acreditou na idéia e seguiram adiante. Apesar de intensamente influenciados por Black Sabbath, havia uma revolta de Cronos com sua postura, em sua concepção, de nada adiantava se inspirar em um filme da Hammer, o Black Sabbath de Boris Karloff, e no final da música cantar: "Oh no please God help me!", eles queriam ir muito além do Sabbath e, na verdade, representar o lado negro, em vez de serem as vítimas do terror, propor o terror! O que, foi uma sacada única para a época! O Venom foi o responsável por todas as bandas futuras que abordariam críticas religiosas em suas letras. A banda não participava de nenhuma cena

metal, ou grupo, ou roda de amigos, como foi o caso do thrash, que de uma galera surgiram várias bandas, eles eram renegados e sozinhos, os shows não eram agendados se o local não provesse o cenário adequado para o teatro produzido pelos fogos de artifício, planos de fundo etc... Tudo deveria estar de acordo com sua proposta. E foram estas, dentre outras diversas peculiaridades que fizeram do Venom, único, um marco na história do Metal. Seus 4 primeiros álbums são os relevantes e apesar do WELCOME TO HELL ter sido o primeiro, os divisores de águas foram o BLACK METAL e AT WAR WITH SATAN. Algo a se enfatizar é que, apesar de ter lido a "Satanic Bible" de Anton LaVey, nenhum deles participava de nenhum grupo, seita ou algo parecido, no âmago de suas existências, os 3 eram "Easy Riders" como qualquer outro rocker, apenas com uma proposta mais audaciosa. Na minha opinião o Venom durou o período em que a clássica formação existiu com Cronos no Baixo/Vocal, Mantas na Guitarra e Abaddon na Bateria, quando Mantas saiu logo após as gravações do Possessed, em 1987, a banda desandou, foi justamente neste período que eles estiveram no Brasil tocando com o Exciter.

Álbums de estúdio e EPs: 
1981 - Welcome to Hell, 1982 - Black Metal, 1983 - At War with Satan, 1985 - Possessed, 1987 - Calm Before the Storm, 1989 - Prime Evil, 1990 - Tear Your Soul Apart, 1991 - Temples of Ice, 1992 - The Waste Lands, 1996 - Venom '96, 1997 - Cast in Stone, 2000 - Resurrection, 2006 - Metal Black e 2008 - Hell.

Vamos falar dos relevantes:

BLACK METAL - Lançado em 1982, é simplesmente a pedra fundamental do estilo. A porta é arrombada com a música título do álbum que já teve sua cover com Cradle of Filth, Alchemist, Hipocrisy, Mayhem, Dimmu Borgir, Vader dentre tantas outras, que compõe a lista dos highlights do play pra mim, além desta destaco Buried Alive, com seu clima obscuro e pesado, "Leave me in hell" e "Countess Bathory", esta última também já foi gravada e tocada ao vivo por enúmeras bandas.

TRACKLIST
Lado A ("Black")

1."Black Metal"
2."To Hell and Back"
3."Buried Alive"
4."Raise the Dead"
5."Teachers' Pet"

Lado B ("Metal")
6."Leave Me in Hell"
7."Sacrifice"
8."Heaven's on Fire"
9."Countess Bathory"
10."Don't Burn the Witch"
11."At War with Satan (preview)"

AT WAR WITH SATAN (1984) - Este pra mim é o GRANDE ÁLBUM DE BLACK METAL DE TODOS OS TEMPOS, com uma inspiração sem precedentes e audácia inimaginável a banda já se reinventava no seu 3º disco. Inspirados no magnífico 2112 do Rush, comporam a épica música título tomando todo o primeiro lado do álbum durando um total de 20 minutos. A música é um Black Metal progressivo, algo raro no gênero, a letra fala de uma suposta vingança de Satã e seus Demônios contra os céus e digo em alto e bom som, daria um grande filme de terror! No seu decorrer a música sofre diversas variações, e nada, nenhuma banda do estilo em nenhuma fase ou lugar nenhum do mundo conseguiu conceber algo tão "horrivelmente belo" como esta canção.

"Lucifer's demonic laughter Assist our quest, Belial prays free from Hell who serves the master Sound the charge on Sabbaths day."

Charge!

(Que fique mais uma vez registrado, não sou satanista ou qualquer "ista" da vida, abomino rótulos, mas sei apreciar as diversas formas de arte independente de onde elas partirem ou se basearem)

O lado B, retirando a cult "Arghhhh" que é uma grande palhaçada de estúdio e poderia muito bem não existir, todas as músicas são matadoras.


TRACKLIST
Lado A
1."At War with Satan"

Lado B
2."Rip Ride"
3."Genocide"
4."Cry Wolf"
5."Stand Up (And Be Counted)"
6."Women, Leather and Hell"
7."Aaaaaaarrghh"

SINGLES 80-86 - Este álbum possue alguns sons monumentais e importantíssimos para o Black Metal que não saíram em ábums de estúdio. Uma coisa interessante e peculiar do Venom era que eles gravavam músicas inéditas em seus singles. Aqui as minhas favoritas são "Bloodlust", "In Nomine Satanas", "Warhead" e "Seven Gates of Hell".

" Unveiled in death to the sinner
Written in the ancient book of lies
Hear the demons call fromthe crimson waterfall
As the blood rained from the skies "


TRACKLIST
1.In League With Satan
2.Live Like an Angel
3.Bloodlust
4.In Nomine Satanas
5.Die Hard
6.Acid Queen
7.Bursting Out
8.Warhead
9.Lady Lust
10.Seven Gates of Hell
11.Manitou
12.Dead of the Night


Diversas coisas relevantes podemos falar sobre esta banda, uma delas foi que seu vocal seria o grande influenciador das bandas européias nos anos 90, foram os pioneiros do Viking Metal dentre outras coisas...

Podemos concluir também que, sob um olhar analítico bandas como Burzum, Emperor e Immortal, grandes bandas dos anos 90, possuem uma audição mais próxima ao Bathory de UNDER THE SIGN OF THE BLACK MARK que o próprio Venom.
Formados em Estocolmo, Suécia a banda tem uma história sólida e influente no estilo, Quorton, o fundador, tinha apenas 17 anos na época, as primeiras gravações da banda, que antes de se firmarem sofreram diversas modificações no staff, foram 2 músicas para a compilação Scandinavian Metal Attack, que eram "Sacrifice" e "The Return of Darkness and Evil", que futuramente sairiam no álbum BATHORY e no THE RETURN respectivamente. O que sempre se repete em sites e biografias sobre a banda espalhadas pela internet é que, apesar de sabermos que o Venom inventou o estilo, Quorton afirma que nunca comprou nenhum disco do Venom e que havia ouvido apenas algumas músicas, disse ainda que não conhecia o Venom quando das gravações do primeiro disco. Discóridas a parte, podemos dizer que o Bathory só perde no quesito "timing" pois sua sonoridade é bem diferente do Venom e isto é algo muito interessante de se salientar, pois, embora em frações de tempos diferentes, mas mínimas, as três primeiras grandes bandas de Black Metal soam bem diferentes umas das outras. A carreira do Bathory se divide em 3 fases, a primeira composta dos 3 primeiros discos é puramente black metal, com letras obscuras e ritmo tosco e violento, o 4º álbum, o melhor da banda, BLOOD FIRE DEATH, e um dos melhores do estilo, foi a fusão entre o Black Metal e o Viking, os 2 seguintes, HAMMERHEAT e TWILIGHT OF THE GODS, foram 100% viking, uma mudança drástica no estilo, apesar de ter assustado os fãs acabou caindo nas graças e agradou tando os black metallers quanto outros headbangers que não curtiam o estilo tanto assim, os 2 próximos, REQUIEM e OCTAGON, para surpresa dos fãs mais uma vez, Quorton levou a banda para algo que foi rotulado como "retro-thrash", pois sua sonoridade os remetia as bandas de thrash da bay area dos anos 80, os restantes BLOOD ON ICE, DESTROYER OF THE WORLDS e NORDLAND I e II voltaram para a temática viking. Em junho de 2004, Quorton foi encontrado morto em sua casa, aparentemente de um ataque do coração.

Discografia: (1984) Bathory, (1985) The Return of Darkness and Evil, (1987) Under the Sign of the Black Mark, (1988) Blood Fire Death, (1990) Hammerheart, (1991) Twilight of the Gods, (1994) Requiem, (1995) Octagon, (1996) Blood on Ice, (2001) Destroyer of Worlds, (2002) Nordland I e (2003) Nordland II.

Vou citar 2 que eu considero fundamentais para o Black Metal e mais importantes do Bathory nesta fase, saliento que, apesar de HAMMERHEART e TWILGHT OF THE GODS serem monumentais, estão fora do escopo do post por se tratarem de Viking Metal:



UNDER THE SIGN OF THE BLACK MARK (1987) - Podemos tranquilamente dizer que este disco compõe um dos marcos, uma das sementes do que futuramente seria o TRUE NORWEGIAN BLACK METAL, os clássicos "Woman of dark desires", "13 Candles" e "Enter the eternal fire" são eternos, a "Enter..." figura como o primeiro black metal épico e traz consigo os primeiros elementos do que, musicalmente no futuro seria o Viking Metal, ele exploraria esta atmosfera melhor nos trabalhos seguintes.

lineup:
Quorthon – Guitarra, Baixo, Sintetizadores e os Vocais
Paul Pålle Lundburg – Bateria
Christer Sandström – Baixo adicional




TRACKLIST
Lado A
1."Nocternal Obeisance (Intro)"
2."Massacre"
3."Woman of Dark Desires"
4."Call from the Grave"
5."Equimanthorn"

Lado B
6."Enter the Eternal Fire"
7."Chariots of Fire"
8."13 Candles"
9."Of Doom"
10."(Outro)"

BLOOD FIRE DEATH (1988) - Quarto álbum da banda, em "For all those who died", Quorton presenteou o mundo headbanger com um grande clássico do Black Metal, sua pegada cadenciada juntamente com as letras e guitarras eletrizantes nos proporcionam momentos eternos,

"Burning naked but smiling
Not full of fear but pride
Knowing death alone could cleanse them
Of the reasons for which they all die"


"Dies Irae", é algo como uma aula de Black Metal europeu, todo o estilo e essência com os quais o estilo foi delineado durante anos está concentrado em 5m11s de uma porrada devastadora. Algo interessante desta música é o intencional acróstico formado pelas primeiras letras de suas frases formando: "CHRIST THE BASTART SON OF HEAVEN". Há de se salientar que a Bíblia Sagrada do Viking Metal foi escrita na música título do álbum, tudo que caracteriza o estilo está concentrado nela.

lineup:
Quorthon - Vocais, Guitarra
Vvornth - Bateria
Kothaar - Bass


TRACKLIST

Lado A 
1."Odens Ride over Nordland"
2."A Fine Day to Die"
3."The Golden Walls of Heaven"
4."Pace 'till Death"
5."Holocaust"
Lado B
6."For All Those Who Died"
7."Dies Irae"
8."Blood Fire Death"
9."Outro"



É bem complicado falar desta banda, pois seu líder é uma pessoa, eu diria, bem controversa, e a mudança de estilo impensável, ridícula e absurda que a banda sofreu após as gravações do TO MEGA THERION em 1985 quase conseguiram apagar a imagem de vanguardistas e precursores do estilo. A dificuldade é lidar com um material pesado e underground que é o início da carreira do Celtic e algo pop, insosso e digno de chacota na linha de lixos como Poison e companhia. Eu procuro pensar que a banda acabou em 1985, finjo que o resto não existe, pra não deixar que a fase ruim manche o excelente trabalho deles em sua melhor fase, portanto leitores, sempre que eu me referir ao Celtic é o Celtic até 1985 OK?


Hellhammer e Celtic são quase a mesma banda, mas com propostas sensívelmente diferentes, tudo começou com a primeira em 1982 na Suíça, formada por Thomas Gabriel, 3 demos foram lançadas em 1983: DEATH FIEND, TRIUMPH OF DEATH e SATANIC RITES, que foram enviadas para enúmeros fanzines pela Europa, nestas demos já era nítida a proposta vanguardista da banda. A verdade é, Tom Gabriel tentou por diversas vezes renegar o Hellhammer, mas como uma maldição ele sempre esteve presente, e foram os próprios fãs de Black Metal que mantiveram a chama do HH viva. O E.P. APOCALYPTIC RAIDS, seu único registro, é considerado uma obra cult e mais uma das sementes do Black Metal, com apenas 4 músicas eles soavam diferentes tanto do Venom, uma de suas influências, e do Bathory. Em 1984 eles finalizam os trabalhos do HH e fundam o Celtic Frost com praticamente a mesma formação que era Tom Gabriel nos vocais e guitarra, Martin E. Ain no baixo e Stephen Priestly na batera. Neste momento que surgiram 2 grandes tótens do Black Metal: MORBID TALES e TO MEGA THERION, são estes 2 álbums que fazem do Celtic pra mim algo único, incomparável e imortal pois o que é cantado e tocado aqui, ninguém nem antes ou depois conseguiu fazer semelhante, Darkthrone e Satyricon tentaram, quase que plagiando fazer igual, mas passaram longe...

Discografia: 1984 - Morbid Tales, 1985 - To Mega Therion, 1987 - Into the Pandemonium, 1988 - Cold Lake, 1990 - Vanity/Nemesis e2006 - Monotheist. 





MORBID TALES (1984) -Impecável em todos os sentidos, sem a abordagem satânica do Venom e do início do Bathory, Celtic nos apresenta um conteúdo lírico voltado para a misantropia, tema que seria extensivamente explorado pelo Black Metal europeu nos anos 90, assuntos obscuros e um pouco do cenário "Conan", não diria Viking. Não consigo destacar nada aqui, acho o play perfeito e figura juntamente com o próximo as pedras fundamentais do estilo.

TRACKLIST


Lado A
1."Into the Crypts of Rays"
2."Visions of Mortality"
3."Dethroned Emperor"
4."Morbid Tales"

Lado B
5."Procreation (Of the Wicked)" 
6."Return to the Eve"
7."Danse Macabre"
8."Nocturnal Fear"

TO MEGA THERION (1985) - Grande clássico que, mesmo com uma produção muito melhor traz, agregado ao seu som a morbidez com a qual a banda ficou conhecida no meio. Os vocais de Tom estão arrebatadores nestes discos, mas principalmente neste, os riffs macabros e sombrios trabalhando em conjunto com as letras para dar o clima apocalíptico em que a belíssima capa desenvolvida por ninguém menos que H.R. GIGER, aquele que concebeu o Alien, propõe, simplesmente indispensável. Quase impossível destacar uma, quase porque, "Necromantical Screams" rouba a cena pra mim, mas todo o disco é perfeito.

TRACKLIST

Lado A
1."Innocence and Wrath"
2."The Usurper"
3."Jewel Throne"
4."Dawn of Meggido"
5."Eternal Summer"

Lado B
6."Circle of the Tyrants"
7."(Beyond the) North Winds"
8."Fainted Eyes"
9."Tears in a Prophet's Dream"
10."Necromantical Screams"

Ufa! Desculpem meus amigos, mas prometo que quando se findar esta série eu redigirei posts mais curtos!

No próximo e derradeiro capítulo da série A HISTÓRIA DO BLACK METAL, falarei sobre o Black Metal no Brasil, a importância do Sarcófago e os discos e bandas mais importanes dos anos 90.


terça-feira, 24 de julho de 2012

A história do Black Metal, parte 1 de 3. Os pais do Thrash

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Em homenagem a diversos leitores e comentaristas fãs do estilo e aqueles que desejam conhecer mais sobre o mesmo, darei uma esplanada geral nos primórdios desta que é a vertente mais controversa do Heavy Metal e a mais renegada também. Muitos se referem a este estilo como extremo, este adjetivo permite diversas avaliações, na minha opinião, extremo pode ser interpretado como, ou você ama ou odeia, não existe meio termo, pois o som, pra quem não esta familiarizado é bem indigesto. Como, sabiamente, disse meu grande amigo Marcos, um dos méritos do Black metal foram de ter mantido um pouco do ranso, do underground do metal anos 80 vivo ainda através dos anos 90, década que o próprio thrash que por algum tempo foi considerado o primo sujo do Metal já havia perecido, salvo algumas poucas bandas como o Sepultura. Eu gosto muito do estilo, tanto os dinossauros quanto os contemporâneos, mas confesso não saber bem o que me levou a apreciá-los, não sei se foi a paixão por filmes de terror, literatura fantástica como Lovecraft e Poe por exemplo, ou as pinturas de Giger e Gustave Dorré ilustrando a Divina Comédia de Dante, não saberia ao certo responder.


Não existem dúvidas que foram Cronos, Mantas e Abaddon do VENOM que criaram o estilo em 1981 com o lançamento do espetacular Welcome to Hell. Para muitos, inclusive Lars Ulrich, Venom foi o criador do thrash. Com a banda se formando em 1979 e registrando o seu primeiro trabalho em 1981 eles foram, ou simultâneos, ou anteriores, mesmo porque Metallica, Slayer, Megadeth e Exodus tiveram como influência o próprio Venom; Slayer e Metallica inclusive, já abriram pro Venom no início dos anos 80. Se alguém me dissesse sobre a influência do Motorhead no Black metal aí sim, eu seria obrigado a concordar, apesar de liricamente estar completamente fora, o instrumental de Lemmy Kilmister está nitidamente presente nas obras do Venom, inclusive no estilo de cantar de Cronos, para ratificar esta informação basta ouvir Overkill, Stay Clean, No Class, Bomber e Ace of Spades, todas gravadas antes do lançamento do Welcome to hell. O Black Sabbath do primeiro álbum tentou descer alguns degraus que o Venom futuramente se aventuraria com uma naturalidade tremenda. Eles uniram a pegada do Motorhead com letras voltadas a críticas religiosas e falando abertamente de viagens ao inferno e o apocalipse. Muitos pseudo críticos de plantão gostam de apontar o dedo as bandas de Black metal 80tistas por não possuírem grandes músicos, mas a essência do estilo não repousa na virtuosidade e sim na atmosfera criada, o que dizer dos Ramones então? A primeira fase do Black metal se resume em 3 grandes bandas: Venom, Bathory e o Hellhammer/Celtic Frost, claro que não podemos esquecer da nossa querida cena tupiniquim, que tinha o Vulcano e o imortal Sarcófago, que praticamente lançou a semente para cena escandinava. No próximo post dissecaremos os discos mais importantes da cena 80tista e conheceremos mais da história destes 3 grandes. Até semana que vem!


" Welcome To Hell foi um clássico! Black metal, speed metal, death metal – Venom iniciou tudo isso em 1981 com este album.“ (Lars Ulrich, Metallica)

" Venom foi a primeira banda de thrash que eu ouvi um disco – isso realmente me impulsionou pra ser o melhor.“ (Kerry King, Slayer)

"O espírito do Venom está em tudo que eu faço." (Dave Grohl, Nirvana)






fonte:rattleheadbrasil

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