quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Dois Sapos e Meio - Obrigado Vasquez (1999)


Release Álbum:
Joinville - Formada em 1994, a banda soteropolitana Dois Sapos e Meio derruba as crenças de que música baiana é axé e de que só se pode fazer um bom disco sob a égide das majors. "Obrigado Vazquez", primeiro CD do quinteto, agrega ao rock o balanço do funk, o peso do metal, a verborragia do hip hop, as experimentações psicodélicas, a velocidade do hardcore e a maturidade nas letras, mistura alinhavada por um estilo personalíssimo, característica ausente dos trabalhos monocórdicos de seus conterrâneos que empestam as rádios do País. Independente até a alma, o álbum só não vai além das sete faixas porque a verba para a gravação não permitiu; roda de mão em mão ou via correio, sem distribuição em lojas. O próprio vocalista Guima Pereira estranhou o fato de um dos discos ter chegado a Santa Catarina.

Com pouco mais de 17 minutos, "Obrigado Vazquez" (uma homenagem ao produtor do disco) foi gravado em 1998, mas só chega neste ano ao público que acompanha a cena independente. Sem badalação, é forte candidato a melhor álbum nacional de 1999, embora não sintetize a fase que o grupo vive atualmente. O genial guitarrista Peu Sousa deu lugar a Marcos Vaz, que também pilota samplers recém incorporados à banda. Lucas, baterista argentino, ocupa o posto que durante as gravações foi de Giló, membro do Catapulta, outro grupo baiano de respeito. "Não dá para ter uma idéia do que é a banda, hoje, só por estas sete músicas", diz Guima.

O vocalista diz que o segundo disco deve sair no próximo ano trazendo elementos da música nordestina e toques eletrônicos, uma contradição que só faz sentido quando executada "com o groove da Dois Sapos e Meio", para Guima um ingrediente imprescindível. "Nosso som não tem definição, depende do ponto de vista de quem ouve", diz. "A gente costuma brincar e dizer que é sapocore!".

"Brejo Sound" abre o álbum com o coaxar dos sapos e é aperitivo insuspeito para "Jingle Bell", uma sátira ao clima natalino e ao próprio rock que alterna passagens contidas a compassos explosivos. Hoje uma música completa chamada "Inquietude", "Groove Pop" aparece como tema instrumental de guitarras funk mescladas à tradição festeira dos trios elétricos. Segue-se "Jardins da Imaginação", uma metáfora para o potencial alucinógeno dos vegetais reunindo muitas referências sonoras, lembrando muito o funk metal de ingleses como Ignorance e Scat Opera.

"Secretária Eletrônica" poderia ser a faixa mais agressiva do álbum se não fosse a descontração dos vocais divididos por Guima e Léo Preto que a aproximam do hip hop. Como em "Jardins", é uma música que reveza momentos distintos, várias músicas dentro de uma única canção falando sobre o inferno que é viver sob pressão do telefone. Menos suingada que "Groove Pop", "Zangado" também é uma vinheta instrumental de um tema só, balanço substituído pela obsessão guitarreira. Fecha o disco "Alucinação", um exercício de estúdio em que as guitarras somem e reaparecem dos canais em alternância com os vocais no megafone. A parte instrumental soa abafada por nuvens psicodélicas, saindo volta e meia para dar corpo e confusão à música. "A nossa idéia de psicodelia com rap e melodia sempre existiu, mas agora está mais amadurecida", avisa Guima.(fonte)


Banda: Dois Sapos e Meio

Origem: Salvador\Bahia

Gênero: Metal\Rock\Psicodélico\Hip Hop\Hardcore

Álbum: Obrigado Vasquez

Ano: 1999

Formação:
Guima Pereira: Voz
Pêu Souza: Guitarra
Baixo: Ch
Giló: Bateria

Tracks:
1-Brejo Sound
2-Jingle Bell
3-Groove Pop
4-Jardins da Imaginação
5-Secretária Eletrônica
6-Zangado
7-Alucinação



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